domingo, 24 de junho de 2007

Após retificar erro, MEC anuncia alteração no Ideb

Um dia após a retificação do Ideb (Índice do Desenvolvimento da Educação Básica) de Ramilândia (PR), o Inep (instituto de pesquisas ligado ao Ministério da Educação) afirmou ontem que a nova forma de coleta dos dados do censo educacional de 2007 diminuirá a possibilidade de erros como esse.
Segundo o instituto, para cada dado, as escolas terão que enviar os nomes dos alunos, o que facilitará a conferência dessas informações.
Ramilândia havia ficado com a pior avaliação do país (0,3, enquanto a média nacional era de 3,8), principalmente por causa de seu índice de reprovação, que constava como 93,2%. A cidade, porém, sustentou que os dados se referiam à aprovação.
O Inep aceitou a retificação, mas alegou que foi o município que errou no preenchimento dos dados enviados ao ministério. Disse ainda que não tem "poder de polícia" para conferir se as informações enviadas estão corretas e que, por isso, após a publicação dos dados no "Diário Oficial", dá um prazo para as cidades os retificarem.
O erro de Ramilândia é o segundo em avaliações do Inep. Em 2006, o órgão divulgou que São Paulo figurava entre as piores capitais na Prova Brasil, que avalia o conhecimento em língua portuguesa e matemática dos alunos de 4ª e 8ª séries. Em abril deste ano, admitiu que havia informações erradas.
De 20ª no ranking de capitais em matemática na 4ª série, por exemplo, São Paulo subiu para 12ª. Na época, o instituto atribuiu o erro à "dificuldade da leitura dos códigos de algumas escolas e municípios" e a "problemas no processamento técnico das respostas dos alunos".

Estudo revela perfil da desigualdade social

A educação é o segundo fator para a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil – perde apenas para o acesso à cultura. A conclusão está no estudo Gasto e Consumo das Famílias Brasileiras Contemporâneas, divulgado nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O trabalho aponta que as famílias mais ricas gastam 30% a mais que as mais pobres e que quanto maior a renda per capita e o nível de escolaridade dos chefes de família, maior a parcela das despesas com educação.

Enquanto no biênio 1987/88 as despesas das famílias mais ricas brasileiras eram 11,9 vezes superiores às das mais pobres, em 2002/03 essa diferença cresceu para 24,5 vezes, sobretudo pelo aumento com gastos nos cursos regulares – de 13,9 para 44,5 vezes. Em 2002/03, os itens que apontam maior desigualdade de despesas entre as classes sociais brasileiras são os cursos de pós-graduação e os de idiomas, seguidos pelos de ensino superior e médio.

800 vezes desigual

De acordo com o estudo, os gastos com cursos de pós-graduação são praticamente nulos entre as famílias mais pobres do Brasil. Outro indicador de desigualdade é que as despesas das famílias mais ricas com cursos de idiomas superam em até 800 vezes as das mais pobres.

A pesquisa aponta ainda que educação foi o item que mais cresceu no orçamento das famílias: os gastos passaram de 3,16% em 1987/88 para 4,26% em 1995/96, e para 5,50% em 2002/03. O aumento dessas despesas de 1987 a 2003 foi maior na região metropolitana de Goiânia, seguida pelas de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

Os maiores gastos foram com os cursos regulares (pré-escolares, fundamental, médio e superiores), que em 1987/88 representavam 44,80% do total despendido com educação e em 2002/03 subiram para 66,47%. Os pesquisadores creditam essa alta à expansão da rede privada de ensino nos últimos 15 anos. Neste período, só as matrículas no ensino superior privado cresceram 174%, enquanto no público aumentaram 79,8%.
Agência Brasil